Quem ficou de fora da renegociação da dívida rural de julho ganha nova chance
Fonte: Conselho Monetário Nacional · publicado em 04 de setembro de 2026
O que isso significa na prática
Em setembro, o Conselho Monetário Nacional ampliou a renegociação de dívidas rurais aberta em julho para quem perdeu duas ou mais safras entre 2019 e 2025. A Resolução CMN 5.340 cria dois caminhos novos, e os dois têm o mesmo prazo para contratar: 12 de novembro de 2026.
O primeiro é para quem ficou no meio do caminho da linha de julho. Entra quem estava em dia, pediu a renegociação, teve a parcela adiada por até trinta dias e viu a dívida atrasar porque o contrato novo não foi assinado a tempo. Entra também quem tinha dívida renegociada ou prorrogada até 31 de maio, com vencimento entre 15 de agosto e 8 de setembro, e atrasou nesse período. Valem os mesmos juros, limites e prazos da linha de julho, e o valor tomado aqui conta dentro do mesmo limite.
O segundo caminho serve para a dívida que não cabe na linha de julho ou para o banco em que o dinheiro com juros reduzidos acabou. Nesse caso, o banco pode oferecer uma linha com recursos próprios, com juros negociados, até oito anos para pagar e dois de carência. A exigência continua a mesma: queda de pelo menos 30% da renda esperada, por clima ou por preço, comprovada em laudo de profissional habilitado.
Nos dois casos o banco não é obrigado a oferecer a linha e aplica a própria análise de risco. Quem se encaixa deve pedir por escrito, com o laudo e a lista das operações que quer quitar, e cobrar a resposta também por escrito. A medida provisória que deu origem às linhas ainda passa pelo Congresso, que pode mudar as condições.
Trechos da Resolução CMN nº 5.340/2026
Art. 1º Ficam as instituições financeiras autorizadas, por sua conveniência e decisão, a criar linha de crédito rural para composição das seguintes dívidas decorrentes de operações de crédito rural:
I - prorrogadas nos termos do art. 4º da Resolução CMN nº 5.330, de 23 de julho de 2026, que tenham entrado em situação de inadimplência após o prazo de trinta dias ali previsto devido à não formalização da composição prevista no art. 1º da referida Resolução CMN; ou
II - renegociadas ou prorrogadas até 31 de maio de 2026, que tenham vencimento entre 15 de agosto de 2026 e a data de publicação desta Resolução e que entraram em situação de inadimplência nesse período.
§ 1º A composição de que trata o caput deve ser contratada até 12 de novembro de 2026 e observar:
I - os limites de crédito, encargos financeiros, prazos de reembolso e os demais critérios de enquadramento e condições de financiamento previstos no art. 1º da Resolução CMN nº 5.330, de 23 de julho de 2026;
II - os critérios de enquadramento e as demais disposições do art. 2º da Resolução CMN nº 5.330, de 23 de julho de 2026, quando aplicáveis, para os valores que ultrapassem os limites previstos no art. 1º da Resolução CMN nº 5.330, de 23 de julho de 2026; e
III - as disposições de que tratam os arts. 3º e 7º da Resolução CMN nº 5.330, de 23 de julho de 2026.
§ 2º Os limites de crédito tomados ao amparo deste artigo, em uma ou mais operações contratadas em uma ou mais instituições financeiras, são cumulativos aos limites de crédito de que trata o art. 1º da Resolução CMN nº 5.330, de 23 de julho de 2026, observado que a soma dos valores tomados pelo mutuário em ambas as linhas de crédito não pode ultrapassar os limites de que trata o art. 1º da Resolução CMN nº 5.330, de 23 de julho de 2026.
Art. 2º Ficam as instituições financeiras autorizadas, por sua conveniência e decisão, a criar linha de crédito rural para composição das seguintes dívidas decorrentes de operações de crédito rural utilizando recursos livres não controlados ou direcionados não controlados, para liquidação ou amortização de operações de crédito rural não abrangidas pelo art. 1º da Resolução CMN nº 5.330, de 23 de julho de 2026, ou cujos recursos controlados destinados à composição das referidas operações tenham se esgotado:
I - operações de crédito rural de custeio, comercialização e industrialização que tenham sido objeto de renegociação ou prorrogação até 31 de maio de 2026 e que estejam em situação de adimplência na data de contratação dessa linha de crédito, contratadas com recursos direcionados, livres, controlados e não controlados, ao amparo do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) e das demais linhas de crédito rural, incluindo as contratadas com recursos dos Fundos Constitucionais;
II - operações de crédito rural de custeio, comercialização e industrialização contratadas até 31 de dezembro de 2025, mesmo que tenham sido objeto de renegociação ou prorrogação, em situação de inadimplência a partir de 1º de janeiro de 2024 e que permaneceram inadimplentes em 31 de maio de 2026, contratadas com recursos direcionados, livres, controlados e não controlados, ao amparo do Pronaf, do Pronamp e das demais linhas de crédito rural; e
III - parcelas de operações de crédito rural de investimento, vencidas ou vincendas entre 1º de janeiro de 2024 e 31 de dezembro de 2026, desde que atendidas cumulativamente as seguintes condições:
a) originárias de operações contratadas até 31 de dezembro de 2025, com recursos direcionados, livres, controlados e não controlados, ao amparo do Pronaf, do Pronamp e das demais linhas de crédito rural; e
b) tenham entrado em situação de inadimplência a partir de 1º de janeiro de 2024 e que permaneceram inadimplentes em 31 de maio de 2026.
§ 1º São beneficiários da linha de crédito de que trata este artigo produtores rurais e cooperativas de produção agropecuária, na qualidade de produtor rural, que tenham registrado, entre 2019 e 2025, perdas em duas ou mais safras que resultaram em redução de, no mínimo, 30% (trinta por cento) da renda bruta agropecuária esperada para a respectiva safra ou atividade financiada pelas operações que foram renegociadas ou serão liquidadas.
§ 2º A perda de renda de que trata o § 1º deve ter sido provocada por eventos climáticos extremos, como enxurradas, alagamentos, inundações, chuvas de granizo, chuvas intensas, tornados, ondas de frio, geadas, vendavais, secas ou estiagens, ou por redução dos preços de comercialização dos seus produtos agropecuários financiados.
§ 3º A comprovação da perda de que trata o § 1º deverá ser realizada por laudo emitido por profissional habilitado conforme disposto no item 3 da Seção 3 (Assistência Técnica) do Capítulo 1 (Disposições Preliminares) do Manual de Crédito Rural (MCR), observado que:
I - a instituição financeira poderá solicitar um segundo laudo caso haja indícios de irregularidade no laudo apresentado, referente às condições de enquadramento da operação; e
II - o laudo técnico deverá demonstrar a relação direta entre as perdas de que trata o § 1º e as operações inadimplentes, prorrogadas ou renegociadas que serão liquidadas ou amortizadas com a nova operação de crédito de composição de dívidas.
§ 4º A linha de crédito de que trata este artigo deve observar as seguintes condições:
I - encargos financeiros: livre negociação entre as partes, com taxas de juros prefixadas ou pós-fixadas;
II - prazo de reembolso: até oito anos, com pagamento de juros na carência e com o vencimento da primeira parcela de amortização do principal dois anos após a data de contratação;
III - prazo para contratação: até 12 de novembro de 2026; e
IV - risco da operação: das instituições financeiras.
Art. 3º A contratação das linhas de crédito de que tratam os arts. 1º e 2º observará as políticas internas da instituição financeira concedente, devendo as operações contratadas ter a classificação do risco do ativo financeiro avaliada como uma nova operação.
Parágrafo único. É assegurada, na contratação das operações de que trata o caput, a possibilidade de revisão das garantias para sua:
I - redução, em caso de excesso; ou
II - ampliação, quando insuficientes para a cobertura da nova operação.
Art. 5º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.
Reproduzido de Conselho Monetário Nacional.
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Eduardo Bueno · OAB/RS 139.085